"É idosa, mas o seu rosto é tão calmo! As dificuldades não a pouparam, mas parece ser superior a todas as preocupações e a todos os aborrecimentos que são o quinhão das mulheres."
Assim falava uma pessoa que se impacientava facilmente. Perguntou à velha senhora o segredo da sua felicidade.
Com um sorriso luminoso, esta última respondeu-lhe:
- Cara amiga, tenho a minha Agenda do Prazer.
- O quê?
- A minha agenda do prazer. Há já muito tempo que aprendi isto: nenhum dia é assim tão triste que não tenha algum raio de luz, e comecei a escrever todas as pequenas coisas boas que me aconteciam.
Desde que saí da escola, mantive fielmente todos os anos a minha agenda em dia.
Contém muitos detalhes insignificantes: um vestido novo, uma conversa com uma amiga, uma atenção do meu marido, uma flor, um livro, um passeio de carro, um por do sol, a lua cheia, um bom almoço, tudo isto está na minha agenda e quando me sinto um pouco triste ou com o moral em baixa, releio algumas páginas para me rememorar que mulher feliz eu sou.
Mostro-lha, se isso lhe interessa.
A mulher descontente e entediada pegou na agenda que lhe estendia a amiga, e virou lentamente as páginas.
Num dia, líamos isto: "Recebi uma carta amorosa de minha mãe, vi um lindo lírio, brinquei com uma criança na rua, tomei chuva. Encontrei a jóia que pensava ter perdido. Encontrei uma jovem alegre e bonita. O meu marido trouxe-me rosas hoje à noite.Ouvi uma música que me encheu de alegria "
Fragmentos de leituras feitas durante o dia também figuravam na agenda, de tal maneira que esta última era uma mina de verdade e de beleza.
- Descobriu um prazer todos os dias para anotar? perguntou a amiga ansiosa.
- Sim, todos os dias; queria que a minha teoria se tornasse uma realidade, foi-lhe respondido com uma voz grave.
A outra continuou a virar as páginas e chegou a uma que continha estas palavras:
"Morreu segurando a minha mão na dele e o meu nome nos seus lábios."